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Emotions in Beiras

Organizamos passeios meditativos com atenção plena à natureza. Ativar os sentidos e ver as coisas como elas são.

Emotions in Beiras

Organizamos passeios meditativos com atenção plena à natureza. Ativar os sentidos e ver as coisas como elas são.

Sex | 11.12.20

Ao encontro do Aguilhão

Dulce Ruano

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A Serra da Estrela é imponente. Majestosa. Perfeitamente capaz de nos surpreender a cada passo dado, a panóplia de paisagens, as rochas ali expostas, a vegetação, os sons e o silêncio dão-nos uma dinâmica tanto de alvoroço como de tranquilidade. Provoca-nos uma certa inquietude interior, pasmamos de tanta beleza, de perfeição e nos faz questionar a razão da vida agitada que temos nos nossos quotidianos porque ali, dentro dela, tudo se esvanece, só temos vista e emoções para o que está ao nosso redor, nada mais interessa.

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O Aguilhão, apesar de ser uma formação rochosa de grandes proporções, particularmente em altura, localiza-se num dos mais belos vales da serra da Estrela, o Vale de Beijames.

Objetivo: Aguilhão 

Altitude: Entre 1163 e 1427 m

Tempo: 4 H.

Distância: 10 Kms circular

Dificuldade: Médio

Para se chegar ao Aguilhão há vários percursos em diferentes direções que nos levam ao encontro deste Tor, desde os Poios Brancos ou de Verdelhos qualquer das opções são excelentes. Decidimos por uma vertente de Manteigas. Depois de passarmos pelo Poço do Inferno e 980 metros a seguir, tivémos o nosso ponto de partida.

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Seguimos uma placa que indica Aguilhão a 5 Kms, iniciámos subida por um estradão repleto de castanheiros, o tapete castanho avermelhado estendido aos nossos pés denuncia a época do Outono, a subida é leve e o ambiente é florestal.

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Após a primeira subida, derivamos à direita, vamo-nos encantando pelo arvoredo a toda a volta, as encostas são ingremes, à nossa direita o deslumbre de paisagem da zona do Poço do Inferno, a cascata é imponente, as corneanas dão-lhe um encanto ímpar, a mistura de cores e o formato que o arvoredo dá à encosta deixa-nos perplexos com a sua beleza.

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Continuando no estradão derivamos novamente à direita e a partir daqui os nossos sentidos fixam-se nos amontoados de rochas com formatos íncriveis, provocam-nos, sorriem da nossa fraqueza de não as compreendermos, inquietam-nos, mal sabiamos nós o que ainda estavamos para ver...

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Num estradão em linha reta derivamos à esquerda, a placa diz Aguilhão 3,1 Km, o rochedo continua a fazer-nos umas travessuras, continua a inquietar-nos, passamos por uma gigante em formato oval que parece ter sido esnocada como quem parte um pão à mão, outra parece a cabeça de alguém pencudo, e depois disto assoberbamo-nos com a arrebatadora paisagem de diversos montes totalmente repletos de floresta, no vale vemos Verdelhos e bem lá ao fundinho está Valhelhas.

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Que pureza, que ar tão puro, que visão regalada e acima de tudo que grande liberdade sentimos. Seguimos pelo trilho devidamente marcado por pequenas mariolas, as passagens de água são uma constante, algumas formam pequenas cascatas e isto é o único som que ouvimos, o das águas a escorrer, ahhh, não, não é bem assim, esquecemos de referir que existe outro som, o do silêncio, quando o convidamos.

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Depois de percorrer esta encosta de mil encantos, de sentirmos que encontrámos mais um paraiso, estavamos prestes a entrar noutro, descemos ligeiramente, sempre por onde as mariolas nos indicam e logo a seguir damos inicio a um novo espetáculo, um dos mais encantadores vales que a Serra nos oferece, o Vale de Beijames, vemos a Ribeira de Beijames a serpentear pelo vale abaixo.

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Os nossos olhos percorrem o vale e a ribeira no sentido ascendente, de repente é como que nos cai tudo ao chão quando reparamos no grandioso Tor ali mesmo junto às margens de Beijames, o empilhamento geométrico é de uma brutalidade íncrivel e no seu topo uma rocha solta que ninguém sabe como ali foi parar nem há quanto tempo, fez-nos lembrar um bolo alto de várias camadas e no seu topo uma cereja.

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Ribeira de Beijames tem inicio na zona dos Poios Brancos, salta para o vale numa belissima cascata projetando-se a 300 metros abaixo junto ao Aguilhão onde recebe as ribeiras do Espinheiro e da Portela seguindo o seu percurso até Verdelhos onde desemboca no Rio Zêzere.

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Sentimo-nos reduzidos perante a magnificência das íngremes encostas a toda a nossa volta, sem qualquer dúvida, pasmamos com o belo de tudo ao nosso redor. A emoção pede-nos para ficar, porém temos de regressar. Voltamos ao trilho, encontramos novamente umas rochas que nos fazem parar de novo e deixam-nos cheios de interrogações.

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O som das cascatas a bater no ambiente rochoso é impressionante, vamos subindo ao encontro de um estradão que nos dirige para o que nos levaria para o Covão D'Ametade à esquerda ou Manteigas à direita.

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Neste cruzamento temos duas opções à direita, um leva-nos a descer a encosta até ao Poço do Inferno, é de maior distância, de terreno bastante desnivelado e rochoso, o outro é sempre estradão e vai ao encontro da placa que indica o Aguilhão regressando pela última etapa de onde começamos.

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Optámos por este último, mas passámos imenso tempo a questionar uma vez mais a morfologia das rochas, dá a impressão que outrora foram ali espalhadas e um vassourão gigante as varreu e colocou aos montes, dando-lhes formatos inexplicáveis, uma certeza há, não foi obra humana, talvez dos deuses ou sabe-se lá o quê.

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Garantimos que depois de uma experiência destas nos tornamos mais fortes, mas acima de tudo mais felizes, se quiser sentir por si próprio, contacte-nos, nós vamos e com muita satisfação: discoveryemotions@gmail.com

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Sab | 05.12.20

Rota do Javali

Dulce Ruano

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Na Serra da Estrela há lugares emblemáticos, lá isso é verdade, porém à medida que vamos descobrindo outros, percebemos a grande diversidade que ela nos oferece e se achávamos que só na zona das rochas os nossos olhos e mente se regalavam então andávamos iludidos e bem.

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Ainda pensámos que talvez dessemos de frente com os javalis mas devem ter achado que eram demasiado poderosos e belos para nós pelo que não apareceram, porém não temos a menor dúvida que tinham acabado mesmo de ali andar, a terra parecia ainda mexer de tão alvoraçada pelas suas fuças.

Objetivo: Rota do Javali

Altitude: Entre 720 e 1306 m

Tempo: 5 H.

Distância: 11 Kms circular

Dificuldade: Médio

Na verdade não íamos em busca de javalis apenas quisemos desfrutar da beleza circundante numa das magnificas encostas de Manteigas, onde o contacto com a natureza nos carrega de felicidade e de uma leveza que tudo se esquece neste ambiente, somos uma espécie de simbiose, nós e a natureza, nada mais.

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Partimos do Bairro de Santo António, iniciámos a subida numa rua de paralelos ladeada de várias habitações, assim que passamos pela última casa temos a indicação das placas para Vale da Amoreira e Poço do Inferno a 5,3 Kms, seguimos o estradão ladeado de floresta que nesta fase Outonal é composto de folhas secas dando um tom harmonioso ao ambiente.

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Chegamos a um cruzamento que seguindo em frente tem o acesso para o Vale da Amoreira, derivámos à direita no sentido do Poço do Inferno, iniciámos subida, vamos deitando o olho, pelos intervalos dos castanheiros, para a Vila de Manteigas que vista daqui lhe dá uma perspetiva de presépio.

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Continuamos em estradão que nos conduz cada vez mais numa floresta  densa, concentrada, os elementos que a fundem são imensos, o desnível das encostas inquieta o nosso raciocionio, o tapete de folhedo aos nossos pés proporciona o único som que se ouve, por vezes paramos, sentimos o silêncio, sorvemos toda aquela grandeza da natureza e acabamos por ficar absortos dentro daqueles cenários majestosos.

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Prosseguimos com o som que fazemos com as folhas do chão, mas de vez em quando ouvimos outro som, o da água a escorrer por entre umas pedras e musgo, vemos raízes grossas de pinheiros que por algum motivo metereológico ficaram a nú, mas vigorantes, tanto que estes caminhos nos oferecem.

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Voltamos a derivar à direita, mantendo-nos em estradão, passamos pela casa do Guarda Florestal, lugar agora abandonado, porém apetecível aos dias atuais, talvez lhe daremos o valor que deixou de lhe ser reconhecido.

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Voltamos a derivar e a placa informa-nos que temos o Poço do Inferno a 1 Km, porém até chegarmos à estrada temos de serpentear o resto da encosta que a cada nível alcançado nos impressionamos com o emergir do monte que temos por trás de nós, é tão gigante, é tão imponente, gordo, farto, intrigante.

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Depois de todos os ziguezagues feitos e a precisar de restabelecer a respiração já que a subida foi íngreme, pisamos o alcatrão por 600 metros até chegarmos ao encantador Poço do Inferno, que, se de facto fizesse jus ao nome não poderia ter tanta beleza concentrada, este lugar bastava-lhe ter a cascata a jorrar dos seus 10 metros porém tudo o que tem à sua volta é de um belo muito especial.

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A partir daqui, e seguindo a rota que trazíamos, ligeiramente antes do Poço está a entrada para a continuação do trilho, contudo, já que estávamos ali, foi-nos irresístivel não fazer a Rota do Poço do Inferno, na chegada desta demos continuidade à do Javali.

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Depois de termos atravessado a Ribeira de Leandres que abastece a cascata e termos atravessado a encosta das rochas Corneanas, apanhámos a continuação do trilho do Javali a 5 Kms para Manteigas que nos encaminhou pelo abastado e íngreme monte à direita do Poço do Inferno, é certo que vínhamos regalados com a pequena rota que tínhamos acabado de fazer mas as vistas daqui mantiveram-se na mesma fasquia, o Vale do Zêzere olhava para nós como que a pedir que abríssemos as asas e o percorrêssemos, decerto não sabe que somos humanos.

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Esta subida tem alguma dificuldade em termos de resistência mas a cada pequena paragem se esvanece qualquer cansaço com as paisagens que vamos apreciando a níveis  cada vez mais altos, o trilho contínua bem marcado e antes de chegar ao cume derivamos à esquerda ao encontro dum estradão cuja saída não existe mas a ideia é percorrer no sentido contrário e verdade se diga que apesar do mato a toda a volta nos soube bem aquele berço, é que já íamos tão satisfeitos com o que tínhamos visto.

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No final deste estradão derivamos para outro na sua continuação à direita e pouco a seguir encontramos uma estreita estrada de alcatrão que percorremos por 100 metros, surge uma placa a indicar Manteigas à esquerda e a partir daqui por mais 3 Kms seguimos por um trilho tipo duma calçada que nos leva de novo a zona de castanheiros voltando a apanhar o famoso tapete de folhedo.

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No final deste tapete castanho alaranjado chegamos à estrada do Poço do Inferno, uns metros à frente, derivamos à direita que nos levará ao ponto de partida. 

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É uma rota desafiante em vários sentidos, tem subidas bastante íngremes mas com calma se fazem bem, diga-se que a cada etapa ultrapassada nem sentimos cansaço mas sim vigorados perante tantos encantos, tem uma grande diversidade de elementos e se for complementada com a Rota do Poço do Inferno sentimos que o tempo dispendido se traduziu em grande felicidade.

Voltamos para lhe fazer companhia, ao dispor: discoveryemotions@gmail.com

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