A Serra da Estrela tem lugares fantásticos, mas que novidade! Ironia é o que é. Trazendo à memória lugar a lugar é demasiado agressivo à nossa sensibilidade eleger algum em particular, convenhamos que a sua composição é de uma variedade tal que se fossemos colocados na posição de decidir não conseguiríamos cumprir com a tarefa.
Fomos percorrer um pequeno trilho que apesar da curta distância oferece uma panóplia de elementos devastadores aos nossos corações, só se compreende isto fazendo-o, deixando-nos levar e encantar pelas vistas deslumbrantes que nos põe ao dispor.
Privilegiados por conhecer uns recantos que nos fazem pensar em magia, fadas, duendes e gnomos não temos dúvidas que viram o seu lugar invadido por nós. O Poço do Inferno é um lugar místico da Serra da Estrela que de tão belo e fantástico nos leva a sentir que por ali há mistérios e verdade que os há, é que quando estamos neste lugar sentimos uma mística que nos eleva à sensação de estarmos num lugar em que o encanto o é na sua verdadeira essência, o aconchego das árvores, das rochas corneanas com o seu formato de escarpas verticais, a cascata, o poço, todos os elementos juntos fazem deste lugar o verdadeiro trono da beleza e não cansamos de dizer, o trono do encanto.
Objetivo: Rota do Poço do Inferno
Altitude: Entre 1081 e 1150 m
Tempo:2H.
Distância:2,8Kms circular
Dificuldade: Médio
A rota do Poço do Inferno está inserida num curto espaço físico de 2,8 Kms porém contempla um misto de elementos tão incríveis que nos pode provocar uma vontade de passar muito mais tempo do que o estimado e isto só é compreendido quando se lá está por ser tão irresistível.
Nosso ponto de partida foi do lugar do poço onde está a cascata, não antes sem termos desfrutado da belíssima e imponente queda de água de 10 metros que a Ribeira de Leandres traz num frenesim pela encosta abaixo, o poço é aconchegante ladeado de rochedo fazendo uma piscina natural que lembra um cenário idílico, o som que a água emite ao cair distrai-nos do mundo fora deste espaço.
Iniciamos o percurso, contornamos a curva e temos logo ali um miradouro que apesar de ser o mais baixo do trilho dá-nos um panorama fantástico do espaço envolto, vemos mesmo por baixo dos nossos pés, mas numa considerável altura, a continuação da Ribeira e as majestosas árvores que emergem das suas margens.
A partir daqui seguimos numa estrada de alcatrão mas com uma paisagem arrebatadora para o vale repleto de árvores com as cores Outonais, a estrada é belíssima e bastante agradável de se fazer.
Chegamos ao primeiro quilómetro e encontramos um cruzamento a indicar Leandres em frente, para a direita Covão D’Ametade 15 Kms e Aguilhão 5 Kms pelo que uns metros a seguir derivamos à direita pela placa de Poço do Inferno 1,8 Kms.
Entramos num trilho de floresta em que depois de caminhar alguns metros e, apesar do radiante sol, com a grande concentração de diversas árvores fecham a luz natural mas dá-nos uma sensação boa fazendo parecer que estamos num bosque encantado.
Há um silêncio arrebatador por entre aqueles pinheiros, castanheiros, carvalhos que é quebrado pelos nossos passos em cima do folhedo, enternecemo-nos pelos cogumelos brotados da terra que registamos tal como toda a envolvente pela encosta acima dum lado e a encosta abaixo do outro.
Estamos em subida, o percurso é notoriamente preparado pela mão humana devido aos vários suportes de pequenos muros de blocos de pedras que outrora terá sido aberto para atalhar distâncias.
Continuamos a percorrer o bosque e entramos em céu aberto vislumbrando uma belíssima paisagem, o trilho a partir dali foi feito por lascas de pedras e por vezes ladeado de rochas, num determinado momento afastamo-nos por 2 ou 3 metros à direita chegando mesmo à beira de um dos vários pontos altos que contornam a parte superior direita do Poço do Inferno, ficamos sem jeito perante tamanha beleza, a estrada serpenteia, estamos bastante acima das corpulentas árvores, as cores misturam-se entre castanhos, amarelos, laranjas, verdes e cinza das rochas, mesmo que não quiséssemos o nosso sorriso abre-se.
Voltamos ao trilho, continuamos a subir de forma leve e finalmente chegamos ao ponto mais alto, aqui continuamos a ver por baixo o poço do Inferno, olhamos em linha reta no horizonte, a paisagem sobre o vale do Zêzere é arrebatadora, arrepia de tão magnifica, sentimo-nos majestades e dizemos coisas bonitas que nos saem do coração perante o que vemos.
A partir deste ponto iniciamos a descida que por entre rochas nos leva na direcção da Ribeira de Leandres, atravessamos por uma pequena ponte em madeira inserida no trilho que nos volta a dar sensações incríveis perante uma majestosa parede de Corneanas que nos acompanham de volta à cascata.
Este percurso é diversificado nos extremos, num encontramos um bosque e no outro piso rochoso e aberto, como somos aficionados às áreas rochosas decidimos deixar o melhor para o final para acabarmos em beleza, porém para quem aprecia mais as áreas de bosque/floresta deverá fazer a volta ao contrário.
Esta rota poderá ser inserida na Rota do Javali tal como fizemos mas ainda assim, é um percurso perfeito para arrebatar corações e emoções, garantimos que as descrições são míseras perante o que se lá sente, o que se por lá vê. Ficamos à disposição para acompanhar: discoveryemotions@gmail.com
A Serra da Estrela lembra um trono de granito imensurável, admirar e andar sobre os rochedos provoca um sentido de aventura potente, caminhar sobre trilhos em busca da descoberta liberta-nos, são lugares abertos, livres, a natureza está exposta de forma espontânea e magnifica a qual merece todo o nosso respeito e admiração no seu estado tão puro.
Os seus elementos são de uma diversidade tão vasta que nos é difícil selecionar em qual investir o nosso prazer de estar nela e em qualquer estação do ano há tanto para desfrutar no mesmo lugar, experiências que nos trazem felicidade, momentos únicos de tanta beleza, grandeza e admiração.
Estar nestes lugares torna-nos pessoas felizes, ultrapassamos adversidades e no nosso pensamento só passam coisas boas sem fazer juízo do que quer que seja, sejamos felizes então.
Entrámos pelo bosque das Faias de S. Lourenço adentro, a última vez que estivemos havia um mês, as Faias estavam com a folha verde mas lindíssimas, não se vê o céu, abrigam-nos, são corpulentas, altivas, as suas folhas são de uma leveza tal que parecem flutuar, sentimo-nos majestades dentro de nós próprios.
Objetivo: Rota das Faias de S. Lourenço
Altitude: Entre 880 m e 1.174 m
Tempo: 2 H.
Distância: 5,4 Km ou 6,5 Km com derivação
Dificuldade: Médio
Andar dentro da Serra da Estrela subir rochas, descobrir trilhos ou vencer obstáculos fazem parte da aventura de quem gosta deste estilo de vida, é o que mais nos atrai, ainda assim, derivado à estação do Outono que atravessamos e à experiência vivida num dos bosques mais bonitos do mundo, voltámos lá, ao Bosque das Faias de S. Lourenço.
Atravessámos Manteigas em direção às Penhas Douradas, se já vinhamos regalados com a viagem, o deslumbre começou em alta com a beleza oferecida pelas encostas guarnecidas de cores quentes, alegres e aconchegantes, a palete estava repleta de castanho, amarelo, laranja, vermelho, verde, mas estas cores tinham ainda várias tonalidades cada uma, imagine-se a mistura frenética que ali vai naquelas encostas.
Cortámos à direita onde estão indicações para Gouveia, Covão da Ponte, Faias de S. Lourenço, pouco mais à frente estacionámos em Cruz das Jogadas e damos inicio ao percurso pelo estradão.
Poucos metros à frente subimos à esquerda até ao ponto mais alto do monte onde encontramos a Capela de S. Lourenço.
Este lugar, a 1.200 m de altitude tem umas vistas magnificas com destaque para os Cântaros, Torre e Curral do Vento mas as mais íncriveis são sem dúvida para o Vale do Zêzere e as suas encostas, junto à Capela encontramos uns Carvalhos de grande porte e com historial de vida à volta dos 400 anos.
Após esta paragem voltamos ao estradão, não oferecendo qualquer desnível, levando-nos até ao Posto de vigia, aqui a paragem é inevitável, tem umas vistas que nos deixa de queixo caído, além do Vale do Zêzere que da Capela era bem visível parece que aqui ganha outro esplendor, em frente vemos o Vale da Amoreira e bem lá ao fundo vemos Valhelhas.
Respiramos mais fundo aproveitando o ar mais puro e começamos a descer.
O trajeto está perfeitamente marcado e não oferece qualquer dificuldade de interpretação, vamos descendo e entramos noutro estradão que nos conduz às Faias mas antes vamos aguçando os sentidos com a floresta dos altivos e majestosos pinheiros do Oregon, são impressionantes com os seus grossos troncos e a brutalidade de altura que atingem mas o que impressiona ainda mais é a sua verticalidade.
Devido às suas cores de tons mais escuros torna-se uma zona misteriosa, tudo à sua volta está rodeado de musgo de um colorido verde bastante acentuado, nesta mistura com os castanhos dos troncos e do folhelho existente no chão emergem cogumelos grandes de chapéu vermelho vivo, estes elementos remetem-nos para um mundo à parte daquele que habitualmente convivemos noutros lugares da Serra da Estrela.
Após passarmos pelos enormes pinheiros, entramos no encanto das Faias, nesta fase do ano presenteiam-nos com um belissímo tapete de folhelho castanho bastante intenso, as Faias estão-se a despir mas contínuamos a sentir que nos protegem, o céu aqui não reina, sentimos que estamos num bosque paradisiaco tipo dum bosque encantado com a impressão que aparecerão fadas, duendes e principes montados em seus belos cavalos.
O silêncio que se sente é de uma grande introspeção, a serenidade remete-nos para um estado de pureza de alma com o qual se ausenta tudo o que de menos bom há na vida, diria, no mundo.
Somos presenteados com mistura de cores das folhas que de tão leve aparência nos faz parecer que não estão agarradas aos ramos, parece que apenas flutuam, apresentam uma arquitectura tão sublime, tão leve.
Este lugar garante-nos uma paz e harmonia inexplicável, aqui todos os problemas são absorvidos, a quietude domina e aqui sentimo-nos a restabelecer totalmente de qualquer adversidade da vida e do mundo em que vivemos.
Ao fundo deste belissímo corredor cortamos à esquerda e começamos a descer, a magnitude da beleza presente é contínua e intrigante, não tem explicação.
Terminamos a descida e temos duas opções, encontramos uma pequena casota em madeira com a placa "Casa do Leite" e podemos ir para a direita onde já não há mais desníveis chegando ao ponto de partida e aqui perfaz os 5 Km ou para os mais aventureiros, deriva-se para a esquerda e cumprir-se-á com os 6,5 Km.
Nossa opção foi seguir para a esquerda e não parámos de nos surpreender com o extremo encanto da diversidade de árvores e vegetação encontrada, saímos do estradão e entramos num trilho à direita como indica a placa em direção a Cruz de Jogadas...
... aqui o terreno é em declíve acentuado e chegando ao fundo deste entramos em zona de terrenos onde se denota algum mero cultivo...
... continuamos pelo estradão e damos inicio à grande subida da encosta que nos leva ao final desta aventura mágica.
Este percurso consegue-se fazer em autonomia e não oferece grande resistência particularmente pela via mais fácil, ainda assim, estamos ao dispor para acompanhar. Nosso contacto é: discoveryemotions@gmail.com