A serra da Estrela tem tantos recantos quanto de estrelas há no céu, cada um com a sua beleza e natureza próprias, cada um com a sua sumptuosidade única e por mais vezes que os vemos e admiramos não nos fartamos nem nos desilude, cada lugar é imperial e nos deslumbra, faz-nos pensar como está ali, leva-nos a retroceder a uns milhares de anos e entramos num imaginário tal a que não temos respostas, continuemos assim, em admiração por ela.
Objetivo: Travessia da Garganta de Loriga
Altitude: 1.873 M (máxima)
Tempo: 5 H.
Distância: 8 Kms
Dificuldade: Médio
Entrámos pela Garganta de Loriga adentro.
De cá do cimo contemplamos um vale, no ponto inferior desse formato em V percebemos uma espécie de mar, um horizonte bastante profundo que nos catapulta para uma série de questões do que haverá para lá desse ponto e o melhor é avançar sobre ele, vamos dar com quatro covões de uma natureza ímpar.
Em cada patamar de descidas entramos nos testemunhos da era glaciar, os covões do Boeiro, o do Meio, o da Nave, e o da Areia estamos numa espécie de anfiteatros em que cada um assistimos a espectáculos que nos deixam embasbacados de uma beleza invulgar, imponente rude e selvagem.
À medida que descemos temos horizontes diferentes, ali o tédio não tem lugar, ali dá-se uma invulgar certeza da grandiosidade da natureza que nos absorve os pensamentos de tal forma em que ali temos uma vida diferente daquela que vivemos dia a dia.
Ali não há pressa, nem pressão, ali não há tristezas nem coisas menos boas que nos assolem, ali só há sensações boas e desprendimento total de tudo, ali só se está feliz!
Nos circos glaciários sentimos uma espécie de protecção ladeados por aquelas escarpas em forma de paredes que nos protegem, as rochas ganharam formas ao longo dos anos, preencheram os seus espaços duma maneira muito própria, as moreias, essas desprendidas acompanham uma grande parte do percurso e quando passamos o último vale a paisagem muda, o granito não é tão marcante dando lugar a vegetação mais densa até à chegada a Loriga.
A paisagem é dinâmica mas cada rocha ocupa o seu lugar como único, não se mexe, nem com a força de mil homens sairá do seu lugar....
Partimos do largo do estacionamento das Salgadeiras, um pouco abaixo das pistas de ski, seguimos um estradão que nos conduz até ao Covão do Meio onde está a barragem de Loriga que por ali está desde 1953 da parte da antiga Hidroeléctrica da Serra da Estrela e que serve para armazenamento de água para a produção indirecta de energia eléctrica. No verão esta água é desviada através de um túnel para a Lagoa Comprida.
Contornamos a barragem pela parte de baixo do paradão e ali temos o príncipio do trilho que nos conduz à nossa aventura, está devidamente marcado, vamos de patamar a patamar, acompanhamos a linha de água e ouvimos águas a escorrer do nosso lado esquerdo, certamente águas vindas das lagoas que estão na parte de cima, a Serrana, Quelhas e Francelha.
Passa por nós um enorme rebanho, o pastor ainda muito jovem e um dos cães vem ter connosco para lhe darmos uma gulodice, estão habituados e sabem que não fazemos mal às reses que tem por missão defender.
Após passarmos os covões e iniciarmos uma descida mais abrupta vemos lá ao fundinho Loriga mas ainda estamos a meio do trajeto, continuamos numa marcha lenta porque admirar tamanha beleza não tem tempo, é o que sentirmos necessidade daí termos levado 5 horas que certamente noutro ritmo seria bastante reduzido mas queremos tanto ali estar e contemplar.
Está calor, é tempo de verão e pensamos seriamente em atingir as lagoas fresquinhas de Loriga ao mesmo tempo sentimos que temos de voltar a fazer o mesmo percurso no inverno mas ao contrário, de Loriga para cima, dá mais adrenalina, dinâmica e a emoção será diferente mas tão boa quanto aquela que fizemos.
A chegada às gélidas águas de Loriga foi o culminar da nossa actividade, retemperamos energias com uns bons mergulhos e um belo lanche com maravilhas da região.
Esta experiência já é nossa e por cada uma que temos tornamo-nos pessoas diferentes mas melhores, o encanto natural da serra da Estrela mexe por dentro de nós, venham experimentar. Aguardamos as vossas mensagens em discorveyemitions@gmail.com
A Serra da Estrela é suspeita de tudo aquilo que se vê ou se admira, sensibiliza-nos a cada passo dado, muda de paisagem de forma dinâmica parecendo se mover para ali ou acolá provocando-nos constantemente a vontade em ver mais, nem que seja para ver o que está ali mais à frente e depois parece que não há mais, mas mais um passo e descobrimos que há tanto mas tanto para ver....
Objetivo: Vale Glaciar do Zêzere
Altitude: 1.470 Metros (máxima)
Tempo: 3H.
Distância: 10 Kms - Linear
Dificuldade: Fácil
O Vale Glaciar do Zêzere é de uma beleza estonteante, começa na nascente do Rio Zêzere, mesmo aos pés do majestoso Cântaro Magro. Por ali há uns milhares de anos houve lugar ao glaciar, devido à sua erosão foi-se esculpindo uma paisagem que nos arrebata o olhar, flora vai renovando a cada estação do ano mas em qualquer época se desfruta de cores, formas e aromas.
Ao longo de todo o vale há uma grande diversidade de vários elementos que nos acompanham, o mais fiél é o rio Zêzere que vem desde o Covão Cimeiro, atravessa o Covão D'Ametade e segue o seu percurso até Manteigas, dali continua....
O rio proporciona-nos algumas zonas de lazer debaixo da sombra das árvores, presenteia-nos com pequenos poços de água cristalina e fresca, por ali vai serpenteando ladeado de rochas e relva bem verdinha, provocando uma vontade, em tempo de verão, de sentir a frescura da água e o contato tão puro com a natureza.
Este vale tem a conjugaçao perfeita e harmoniosa da água, flora, fauna, rochas, montes que tudo junto nos faz esquecer que há mais mundo para lá daquilo, observamos e sentimos o que a natureza tem de mais puro, temos contacto com o ambiente da pastoricia, os rebanhos cruzam-se connosco, o pastor conduz, o rebanho obedece, os cães de guarda vêm no final garantindo a segurança e a defesa.
Apesar deste percurso ser de 13 Kms iniciando aos pés do Cântaro Magro, decidimos encurtá-lo e fazer 9,5 Kms com começo um pouco abaixo do Covão D'Ametade num trilho à esquerda, descemos por entre arbustos de médio porte até apanharmos o estradão marcado pelas pegadas diárias dos rebanhos e aqui entramos em campo mais aberto.
Do lado direito temos a presença de casas, casotas, bardos, choças e os telhados de colmo, há por ali pastores, são simpáticos e atenciosos, prontos a colaborar para uma pequena conversa mas de olhos postos nas suas reses.
Continuamos e chegamos à margem do rio, tiramos as botas e refrescamos os pés, que bem que sabe, aquela frescura arrebita-nos o fisico para dar continuidade pelo percurso sem antes mirarmos tudo o que está à nossa volta.
Do lado esquerdo vemos algumas moreias derivadas do desgaste dos pedregulhos e do lado de lá sabemos que está o vale da Candeeira, mas seria preciso subir muito para se atingir, do lado direito vemos uma grande encosta verdejante e a mitica estrada que conduz a Manteigas.
Finalizamos o percurso à entrada da vila, encontramos umas sombras frescas e com um pequeno curso de água, carregamos energias que até ali tinhamos gasto, aproveitámos para visitar o Viveiro das Trutas, conversámos com o senhor que as trata e que muito sabe.
Este percurso, sendo linear poderá terminar na Vila de Manteigas e fazendo o regresso de carro deixando um na vila e outro no Covão D'Ametade no entanto o nosso grupo decidiu que ainda teriamos resistência para regressar a pé e que poderá ser feito por duas vias, ou o mesmo percurso acabado de fazer ou pela estrada bastante serpenteada e só com subida mas como as vistas também são diferentes pela estrada por estar a um nível mais alto que o vale, optámos por esta, vir pelo asfalto.
Apesar da dureza do regresso e a cada passo dado mantivémos o foco na chegada à fonte Paulo Martins, é das águas mais frescas da serra da Estrela vinda debaixo de terra e rochas, que bem nos soube...
Antes cruzámo-nos com um rebanho de cabras que pastavam numa pequena encosta repleta de alimento, com o Pastor Manuel Isidro.
Sr. Manuel queria companhia, ofereceu-nos vinho e queijo de cabra feito por ele, fazendo questão de ficar na fotografia e assim que o deixámos pararam uns carros que por ali ficaram algumas pessoas a provar as suas ofertas e a fazer poses.
É uma experiência que recomendamos fazer, o percurso é fácil e dá-nos uma riqueza tremenda de paz em contato com a natureza, atrevam-se, nós vamos de novo, contactem-nos "discoveryemotions@gmail.com"
EN2 – 6º Dia – Torrão – Ferreira do Alentejo – Aljustrel – Castro Verde – Almodôvar – São Brás de Alportel - Faro
Dando seguimento à nossa aventura e chegando ao sexto e último dia ...
Deixámos o parque Markádia, passamos pelo lugar que abraça o Rio Xarrama em Torrão, EN2 passa no meio da aldeia e nota-se algum movimento turístico, passeámos pelas ruas, conversámos com residentes, sempre amáveis, conquistam-nos de uma forma que nos faz esquecer do nosso objectivo por algum tempo, ainda assim visitámos a Anta no Monte da Tumba, Igreja Matriz e Misericórdia, convento de São Francisco, Palácio dos Viscondes e a fantástica Ermida Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Tínhamos de seguir viagem e fomos até Ferreira do Alentejo onde parámos junto à mítica Capela cilíndrica de Santa Maria Madalena ou Capela do Cálvario, a Igreja matriz e de Nossa Senhora da Conceição, Solar dos Viscondes.
Passeámos um pouco pelas ruas, admirámos a arquitectura e a vida pacata longe das grandes algazarras e vida urbana, respirámos o tipo de vida que se lá vive e seguimos até Aljustrel, tão bem, tão reconfortados.
Percorrer as estradas do Alentejo, mais parece que avançamos sobre um tapete que se vai desenrolando, não vai para mais lado nenhum senão em frente e nos fazer esquecer totalmente as curvas e contracurvas encontradas mais a norte.
Estas retas abrandam-nos o passo, pedem para passarmos devagar e sentir a tranquilidade, a paz, a segurança, a admiração das planícies, das árvores como a azinheira, o sobreiro de copa despida de cortiça, os animais no pasto, as cores suaves com que é pintada a paisagem, dá-nos uma serenidade única que não queremos que acabe.
Mas enquanto houver estrada para andar, continuamos, o Jorge Palma foi-nos dizendo….
Dali para Aljustrel, subimos ao santuário da Ermida de Santa Maria do Castelo e perdemo-nos na imensidão da paisagem, atrevemo-nos a dizer que terá das vistas mais encantadoras do Alentejo que até ali atravessávamos, visitámos a Praça de touros, o Bairro mineiro Vale D’Oca, seguindo para Castro Verde, aproveitámos para descansar e tomar uma refeição rápida que sem demoras estava mesmo à mão no restaurante “O Bombeiro” T. 286 327168 no próprio edifício dos Bombeiros Voluntários.
Estava uma tarde amena e passeámos por Castro Verde que foi aproveitada para visitar alguns pontos de interesse como a fantástica Basílica Real ou igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição muito apreciada pelas paredes interiores forradas com riquíssimos painéis de azulejos do Séc. XVIII retratando a batalha de Ourique. Merece destaque o único em todo o mundo, Museu das Lucernas, as candeias de azeite usadas pelos romanos.
Rumo a Almodôvar.
A caminho íamos sentindo que seria a nossa última paragem pelo encantador Alentejo, apetecia ficar por lá mas sempre que tínhamos este sentimento, lembrávamo-nos do nosso foco, a EN2, sabíamos que tínhamos de resistir e continuar, esta era uma das razões porque que não tínhamos hora ou lugar para parar e obedecer a regras, onde estávamos bem passávamos mais tempo e esta região pedia para ficarmos.
Almodôvar, mais um lugar que cativa, demos um passeio pelas ruas principais, visitámos o Convento de Nossa Senhora da Conceição, a igreja Matriz, a ponte medieval sobre a ribeira de Cobres e a vila tem ainda um interessante Museu da escrita do Sudoeste.
Tínhamos de partir e na saída da vila encontramos o km 666, lembrávamo-nos que a partir dali seria a etapa final mas o entusiasmo dominou-nos percebendo que estávamos perto de atravessar a majestosa Serra do Caldeirão voltando às curvas e contracurvas, com descidas, subidas, miradouros e muita vegetação característica da região, deixávamos o apaixonante Alentejo e passaríamos ao Algarve mesmo ali tão perto e com uma diversidade de paisagem tão acentuada.
Este percurso entre Almodôvar e São Brás de Alportel foi, em 2003, classificado como Estrada Património devido ao riquíssimo património que a envolve, fazendo parte da primeira edição em livro das estradas património em Portugal, lançado pelas Infra-estruturas de Portugal, passando por lá compreende-se a riqueza de que é constituída.
Apesar de algumas paragens pela serra, absorvendo a sua magnitude, decidimos investir mais tempo por aquelas encostas do que propriamente na zona urbana de são Brás de Alportel, ainda assim, sabíamos do rico património histórico.
Antes de entrarmos em São Brás seria imperdível subir ao miradouro do Alto da Arroteia, sabendo que o mar está mesmo ali a um saltinho, estávamos quase ao fundo de Portugal.
Portugal, que alguns dias atrás tínhamos iniciado no seu lado oposto e que tanto nos tinha oferecido, um carrossel de emoções em lugares, em história, em património de uma riqueza incalculável e que não seria em menos na região onde tínhamos acabado de chegar.
São Brás de Alportel merece destaque pelo Palácio Episcopal, Igreja Matriz, o amplo Paços do Concelho e uma boa espreitadela pelo Museu do traje do Algarve.
Teríamos de continuar, estávamos tão perto do fim e os últimos kms começavam a pesar-nos pela ideia do fim, tínhamos abraçado a EN2 como nossa, criámos uma intimidade que começava a doer de pensar em deixá-la de tanto que tínhamos recebido, de tanto que nos ensinou, de tanto nos enriqueceu.
Nesta fase do fim esperado, o sentimento é de ausência, não queremos deixá-la, abrandámos o ritmo, vamos devagar para durar mais um pouco.
Chegámos ao fim! Km 738
Faro. Uma das maiores cidades por onde tínhamos andado desde o começo, muito património para visitar, não o fizemos, entrou na agenda, aproveitámos para relaxar ao pôr-do-sol…
Demos lugar ao descanso não antes sem passear pela cidade e desfrutar dum maravilhoso jantar, dia seguinte fomos molhar os pés ao mar e terminámos a aventura com uma belissíma Bola de Berlin na praia, ai, que bem que nos soube.....
Até breve para mais umas aventuras que tanto gostamos, ficamos ao dispor para qualquer informação extra, mandem-nos mail: discoveryemotions@gmail.com
Obs: Esta atividade, percorrer a EN2 foi feita em 6 dias em Junho 2020
EN2/5º Dia: Montargil – Mora – Montemor-O-Novo – Santiago do Escoural – Alcáçovas – Torrão – Viana do Alentejo -
Ao quinto dia temos a impressão que desfrutámos pouco, pensamos em tudo o que deixámos para trás por ver, por descobrir e que a lista da agenda já vai grande, ainda estamos a um pouco menos de metade do percurso, pudera, Portugal tem tanto para ver, experimentar e sentir.
Levantámos em Montargil, seguimos estrada, verdade que nesta etapa já nos começamos a ambientar às retas alentejanas apelando-nos à aventura, à liberdade, deixando para trás as constantes curvas que denunciavam as encostas mais a norte, a cor verde ainda se vê mas não em grandeza que passa a outras cores mais amenas.
Seguimos para Mora, gostaríamos de ter visto o Fluviário, porém entrou em agenda e aproveitamos para conhecer a cidade, demos uma espreitadela pelo miradouro e pomo-nos à estrada para Montemor-O-Novo.
A caminho esperávamos encontrar o Km 500, apesar de ser um marco como outro qualquer é impossível não ser considerado de emblemático e de facto estava revestido de uma forma especial, localiza-se na saída da pacata aldeia de Ciborro, sem dúvida uma paragem obrigatória.
Chegámos a Montemor-O-Novo, subimos ao castelo onde conseguimos umas vistas deslumbrantes sobre a vila, mas Montemor tem muito mais que as ruinas fantásticas do Castelo, além de que daqui se avista uma paisagem maravilhosa sobre a vila de Montemor. Tem ainda as torres da má hora e do relógio, o Paço dos Alcaides, o convento de Nossa Senhora da Saudação, as igrejas de São João Batista, Santa Maria do Bispo e São Tiago.
Dentro da cidade há ainda a Praça da Republica (tem um coreto), o Largo dos Paços do Concelho, Igreja matriz e da Misericórdia e ainda o Chafariz do Besugo.
Optámos por almoçar um pouco mais à frente, em Santiago do Escoural e que belo repasto desfrutámos, Migas com carne do Alguidar, recomendamos “O Cholinha” T. 266 857166, mesmo à beira da estrada.
Esta aldeia é de uma riqueza patrimonial inigualável, pela primeira vez em Portugal aqui se descobriram vestígios da arte rupestre paleolítica na Gruta do Escoural, conhecemos o centro interpretativo da gruta onde conversámos com a sábia Sónia e nos deu as indicações do que poderíamos visitar além de que nos deu informações preciosas sobre o aparecimento e contexto da gruta.
A gruta pode ser visitada sob marcação T.266 857000 e garantimos que a guia Sónia é munida de toda a informação disponível sobre o tema. A poucos Kms visitámos ainda Anta em forma de capela de Nossa Senhora do Livramento. Há um desvio que ainda pode ser feito até ao cromeleque dos Almendres que distância a cerca de meia hora daqui e que bem merece uma visita.
Seguimos para Alcáçovas que não nos arrependemos nada de ali passar umas horas, damos de caras com a imponência da igreja Matriz (numa lateral tem um relógio de sol).
Fomos diretos ao Paço dos Henriques onde acolhe a exposição permanente da arte chocalheira que inclui a informação do percurso da execução do chocalho português.
Imperdível a visita à casa e jardim das conchas, sob pedido no balcão do Paço dos Henriques (ao lado), todo o interior, tecto e paredes exteriores são forrados com a técnica do “embrechado” a conchas e pedrinhas, um admirável trabalho dos séc. XVII e XVIII, que nos leva a apreciar e a pensar como possível toda aquela minuciosidade de colocação pedras minúsculas e de 28 diferentes espécies de conchas de vários coloridos e esteticamente tão bem colocadas.
Saímos dali inquietos com a beleza arquitectónica daquele lugar e um pouco pensativos sobre o aparente pouco reconhecimento que lhe é dado a nível nacional.
Seguimos para Viana do Alentejo onde especámos perante o Santuário de Nossa Senhora D’Aires e o lindíssimo castelo de Viana do Alentejo que alberga no seu interior a igreja matriz, era fim do dia e à entrada dos cafés e tascas juntavam-se de garrafa em riste grupos de homens como que a comemorar o fim da jornada do dia.
Procurámos alojamento mas algo nos chamava a atenção para 0 camping Markádia www.markadia.net à beira da albufeira de Odivelas.
Por opção pessoal e desfrutar duma experiência diferente pernoitámos neste camping, adorámos e aconselhamos a quem reúna condições para acampar ou que tal como nós venha sempre preparado para estes casos.
Este camping apesar de vedado tem todas as condições mínimas, porém, é do estilo selvagem, ao ponto de às sete da manhã quando acordámos e demos uma volta pelo parque surgiam dezenas de coelhos aos saltitos por todo o lado, parecia que saíam dos buracos das formigas, impressionante a quantidade que havia junto das tendas e autocaravanas o que nos deixou enternecidos com aquele convívio de natureza no seu estado mais puro.
A estrada contínua, rumo à sexta etapa:
Torrão – Ferreira do Alentejo – Aljustrel – Castro Verde – Almodôvar – São Brás de Alportel - Faro
EN2/4ª Dia: Penacova – Lousã – Góis – Pedrogão Grande – Sertã – Vila de Rei – Abrantes – Ponte-de-Sor – Barragem de Montargil
Portugal é um país de tantos encantos e apesar de pequeno tem uma diversificada paisagem, ora vemos encostas de jardins com vinhas ora vemos encostas com um arvoredo gigantesco, além de paisagens também a cultura gastronómica muda e mesmo as pessoas, todas com quem falamos com as suas peculiares características, ainda assim têm todas algo em comum, a simpatia, a cordialidade e o afecto.
Tem sido difícil para nós deixar muita coisa por ver, sentir, desfrutar, explorar mas vamos anotando para oportunidades isoladas e haveremos de ir. Desta forma sentimos que temos de dar corda aos sapatos e fazer quilómetros pelo que o nosso quarto dia será uma oportunidade para darmos algum avanço.
Deixamos Penacova em direção a V.N. Poiares e daqui demos um salto à Lousã, ficámos cá com uma vontade de já por ali ficar, ainda fomos ao Castelo e ao miradouro em que reinam grandes encostas de vegetação que nos fez ficar de olhos turvos e naquele instante decidimos pôr na agenda uns dias para visitar esta zona tanto para visitar as aldeias de xisto como para desfrutar de umas belas caminhadas até porque os trilhos estão todos devidamente marcados, salientamos o espetacular passadiço à beira da estrada que começa na saída de Lousã e vai até ao Castelo, logo ao lado tem uma praia fluvial fantástica. Recomendamos, porém, para ficar uns dias.
Seguimos para Góis e produzimos o almoço com produtos comprados localmente à beira do Rio Ceira e mesmo junto famosa à ponte real. Vila Bastante simpática e acolhedora, no Posto de turismo fomos tratados como príncipes, vimos logo que era mais um lugar para pôr em agenda e a D. Fátima disse que quando voltarmos basta mandar um mail que eles tratam de tudo inclusive de rotas para caminhar e desfrutar desta beleza paisagística.
Continuámos para Pedrogão Grande, Sertã, atravessámos o paradão da Barragem do Cabril e parámos para nos deslumbrarmos com a sua abundância e arquitetura.
Seguimos para o centro de Portugal:
Vila de Rei no centro geodésico (cuidado com a paisagem que é deslumbrante) e aqui aconselhamos um desvio até ao Penedo Furado fazer os passadiços (600 metros) mas principalmente visitar ou desfrutar das cascatas, são de uma beleza selvagem imponente (já tinhamos ido por duas vezes pelo que decidimos não ir desta vez).
Atravessámos Abrantes mas sem antes mencionar paragem no Restaurante “Bom Garfo” do Sr. Mendes para carimbar o nosso passaporte e que recebe todos os passageiros da EN2 de braços abertos perguntando logo o que queremos beber que ele oferece uma bebida a todos que por ali passam com este propósito – Nr. Telefone: 241 372227
Chegámos a Ponte de Sor no final da tarde e também a última etapa do dia, ao passarmos por Montargil não resistimos à tentação de montar a tenda à beira das águas da barragem no Parque de Campismo.
Bem instalados e vizinhos de alguns motards que também faziam a EN2, a partir deste ponto cruzámo-nos várias vezes no dia seguinte.....
Próxima etapa: Montargil – Mora – Montemor-O-Novo – Santiago do Escoural – Alcáçovas – Torrão – Viana do Alentejo -
EN2/3º Dia: Peso da Régua - Lamego – Castro D’Aire – Viseu – Santa Comba Dão – Barragem da Aguieira – Penacova
Bem cedo fizemos um treino de atletismo na ecopista à beira do Douro e assim desfrutar da beleza do grandioso Douro. Mais tarde visitámos o museu e a estação ferroviária, ficámos tentados a atravessar a ponte pedonal porém como já conhecíamos decidimos avançar para Lamego, não sem antes comprar uns rebuçados da Régua a uma vendedora ambulante.
Lamego é descomunal em património histórico, desde o Ex-Libris do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, a majestosa Sé, Igreja de Santa Maria de Almacave, Museu de Lamego e a grandiosa avenida que nos leva ao santuário, cada recanto é uma surpresa pelo que passeámos por diversas ruas.
Do lado contrário ao Santuário, na colina, visitámos o Castelo (Torre), Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos (tem um esqueleto com mais de 1.000 anos), Cisterna e descemos pela rua íngreme que nos leva à avenida. Estávamos de partida mas não podíamos ir sem provar a famosa bôla na badalada “casa das Bôlas”.
Na saída passámos pelas Caves Raposeira e que vontade deu de visitar, porém, entraram em agenda para uma próxima visita.
Daqui, fizemos um desvio até Lazarim, a simpática terra do famoso entrudo tão português com as suas máscaras de madeira de amieiro, estivemos à conversa com um artesão que nos deu a entender que a tradição se mantém forte e, claro está, marcámos em agenda onde passar o próximo Carnaval.
Deixámos também para outra data as portas de Montemuro porque achámos que merece uma visita de mais tempo. O rumo era Castro D’Aire.
Chegámos pela hora de almoço, decidimos comprar comida num comércio local e presenteámo-nos no jardim público, passeámos pelas ruas, visitámos a Casa da Cerca (atual Museu Municipal), Solar dos Aguilares, Pelourinho, Capela das Carrancas e imponente Igreja Matriz, terminámos com a compra dum bolo podre, sim, o típico, tão bom…
Pouco à frente, após a saída visitámos as termas do Carvalhal e tínhamos de tomar outra decisão difícil que, naturalmente já se sabe onde ficou por vermos que vale a pena uma escapadinha de fim de semana, zona de S. Pedro do Sul as aldeias de xisto, fica para uma próxima com certeza.
Após a saída em Castro D’Aire fizemos um pequeno desvio de alguns minutos pela A4 devido a uma derrocada sobre a EN2 que por isso se encontra fechada.
Chegámos a Viseu, atravessámos a cidade e porque a conhecemos bem derivado à proximidade que temos da zona onde vivemos decidimos parar apenas para carimbar o passaporte, mas deu vontade de ficar, tem muito para ver, o potencial histórico e paisagístico é tal que bem merecia um destaque especial porém ficou também na agenda para mais amiúde, destacamos a Sé Catedral de Santa Maria, Museu Grão Vasco, Praça Dom Duarte, estátua do Viriato, Praça da República, Parques e passear pelas ruas Formosa e Direita, desfrutar no final das belas esplanadas nas praças.
Diretos a Santa Comba Dão, lugar irresistível a um passeio pela cidade, inevitável passear pela Ponte Românica, igreja Matriz, Largo do Municipio e o Miradouro do Outeirinho que é palco de uma bela paisagem sobre o Rio Dão com a ponte onde passa o IP3 e a nossa EN2 a passar por baixo.
Na saída de Santa Comba Dão há placas novas a mencionar EN2 contudo fazem-se uns metros na IP3 e ainda à frente tem um troço bastante sinuoso, porém, encantador junto à Barragem da Aguieira que logo aproveitámos uma saída para a visitar, bem que vale a pena é de grande imponência esta obra de engenharia moderna.
Chegando à entrada Penacova vemos a Livraria do Mondego, uma parede de rochas sobressaídas na vertical que mais fazem lembrar uns livros colocados numa prateleira.
Ao nosso redor vemos uma paisagem particularmente arboreal de encostas com grande altitude de características rochosas mas o que predomina são os grandes e sumptuosos arvoredos de eucaliptos e castanheiros e para nos pasmar ainda mais subimos ao miradouro Penedo de Castro que nos deixa completamente reduzidos a uma insignificância humana perante majestosa paisagem e imponente natureza.
Visto que cada dia para nós é uma surpresa sem sabermos onde vamos ficar, quando chegamos ao fim da tarde analisamos se ficamos onde estamos ou se ainda avançamos para uma próxima paragem a fim de ganhar algum tempo, no dia de hoje decidimos ficar por Penacova aproveitando dar um salto de 8 Kms a Lorvão e observar o imponente mosteiro, valeu a pena.
Conseguimos alojamento em Vila Nova mesmo ao lado de Penacova “Charrua do Mondego” (962868645) que adoramos e recomendamos.
Que dia mais íncrivel este, a diversidade de paisagens, de culturas, de socalcos, de montes, de costumes, de pessoas, tudo nos levou a uma grande absorção de emoções e temos de descansar...
Próxima etapa:Penacova – Lousã – Góis – Pedrogão Grande – Sertã – Vila de Rei – Abrantes – Ponte-de-Sor – Barragem de Montargil
EN2/2º Dia: Vila Real – Santa Marta de Penaguião – Peso da Régua
A noite em Vila Real passámos num alojamento situado na zona histórica e que recomendamos: O Palacete. Na porta ao lado o restaurante "O Transmontano" come-se tão bem e tão bom, comida caseira e serviço atencioso, fica na R. da Misericórdia 35 - Telf. 259 106 457.
Pela manhã visitámos os Paços do Concelho, o edifício da Câmara Municipal e o Cemitério antigo, pode parecer mórbido visitar este lugar mas curiosamente torna-se interessante, tem a igreja de S. Dinis no mesmo recinto, a paisagem à volta é deslumbrante sendo uma zona bastante propicia a um passeio matinal e a poucos passos da zona histórica.
Visitámos a Sé e as igrejas de S. Pedro e Capela Nova (S. Paulo) de arquitetura barroca, esta capela é de uma beleza ímpar com um exterior imponente, ambas localizadas em zonas propicias a uma breve passagem pelas ruas da cidade.
Saboreámos uma crista de Galo e um Covilhete, doce e salgado típicos de Vila Real.
Visitámos ainda a casa de Diogo Cão e a Casa das Brocas que pertenceu ao avô de Camilo Castelo Branco, a última visita ficou para o Museu que conta com duas exposições permanentes, de Numismática com mais de 5.000 moedas todas encontradas na região e uma parte de tempos que remontam a época antes de Cristo e ainda a exposição de arqueologia e nesta chamou-nos a atenção para um lugar intrigante que fomos ver de seguida.
Deixámos a cidade e a poucos quilómetros de desvio fomos ao Santuário de Panóias visto que nos tinha despertado a atenção no museu, lugar com uma história potente do tempo dos romanos e que encontramos três fragas onde foram abertas várias cavidades e gravadas inscrições sagradas servindo de palco para a celebração de rituais aos deuses, dando lugar a sacrificios de animais derramando o seu sangue e queimando as suas vísceras. Lugar enigmático!
Deixámos Panóias e fomos diretos ao Palácio Mateus, porém depressa percebemos que é um lugar que merece algum destaque e as visitas estavam um pouco demoradas pelo que achámos melhor considerá-lo para agenda e fazer num fim de semana juntando a outras atividadades da região.
Regressamos a Vila Real para apanhar a EN2 e ao sair da cidade vemos na paisagem a gigante ponte da A4 que segue para o Marão, esta ponte é de uma tal imponência que nos fez parar para observar a grande obra de engenharia, de qualquer forma o nosso interesse era apreciar a nacional por onde continuávamos até que começamos desde ali a observar as belissimas encostas do tão majestoso Douro Vinhateiro.
Encostas que são autênticos jardins, que dão a sensação que os melhores jardineiros para ali foram fazer das suas, um encanto que nos acompanha vários quilómetros até Santa Marta de Penaguião, aqui fizémos uma breve paragem para apreciar o que nos envolvia, um autêntico luxo para a vista que desarma perante tamanha beleza a toda a nossa volta, assim que deixamos esta área, aparece-nos o Douro à espreita e logo entramos no Peso da Régua.
Antes de entrármos em Peso da Régua voltámos a fazer um desvio até a um lugar mágico, Miradouro de S. Leonardo da Galafura que apesar dos 14 Kms em subida e com curvas vale mesmo a pena a visita, tem uma paisagem deslumbrante e imperdível, é um lugar de passagem obrigatória, assim como a leitura de um poema de Miguel Torga que exibe o seu sentimento perante aquele cenário paradisíaco.
Entrámos em Peso da Régua e optámos por terminar a etapa do dia contudo ainda aproveitámos para relaxar um pouco à beira do Douro até porque isto de andar a fazer quilómetros e andar a pé a fazer visitas também se torna exaustivo, pelo que a moderação fisica deverá ser controlada.
Terminámos o dia com um rico repasto num restaurante de comida caseira de excelência e que recomendamos: Tasca da Piasca serviço simpático, descontraído, sugestivo e muito bom.
Como nos tinhamos proposto a não fazer marcações de nada com a devida antecedência porque entendemos que teria um sentido mais aventureiro, deixámos para resolver mais tarde onde iriamos passar a noite pelo que nos sujeitámos a alugar um quarto local, porém, não recomendamos por entendermos que não foi experiência que se justifique partilhar.
Próxima etapa: Peso da Régua – Lamego – Castro D’Aire – Viseu – Santa Comba Dão – Barragem da Aguieira – Penacova